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Pessoal, nós prometemos e viemos cumprir: Em nossa última newsletter, anunciamos um evento que acontecerá na Bancaberta, em Porto Alegre, e agora trazemos as informações completas sobre ele.
Domingo, dia 22 de fevereiro, Letícia Lampert dará uma oficina de colagem com as sobras gráficas de nosso fotolivro Práticas para destrinchar a cidade.Em seguida, haverá um bate-papo de lançamento dos livros mais recentes da artista, com mediação de Amanda Teixeira (Azulejo Press).
// Vai que cola
Para a oficina, que acontece às 15h, Letícia propõe uma imersão, a partir de exercícios práticos, no processo de colagem como algo além da técnica; como um gesto do pensamento.
A ideia é os participantes criarem imagens e/ou pequenas publicações a partir do deslocamento, do corte e da recombinação, entendendo a página/suporte como espaço de montagem.
Para isso, disponibilizaremos as sobras gráficas do Práticas. Essa dinâmica dialoga com o conceito de contra-livro sobre o qual conversamos ao longo de toda a feitura do livro,devido aos inúmeros cortes a que as páginas do miolo foram submetidas, deixando "para trás" retalhos que sempre nos pareceram interessantes para inspirar novas criações. Assim, os participantes são estimulados a pensar e praticar com o que pode ser construído utilizando-se o avesso, os resíduos, o que fica de fora.
A atividade tem duração de 2 horas e o ingresso de R$40,00 é adquirido neste link. [Metade do valor do ingresso poderá ser utilizada como voucher para compras na Banca].
"Preciso levar alguma coisa?" Sim, sugerimos que os participantes levem tesoura e algum papel de suporte de sua preferência. As sobras de impressão do Práticas serão disponibilizadas para as colagens, mas quem quiser levar as próprias imagens, é mais que encorajado a fazê-lo!
// Lançamento duplo com bate-papo
Logo após a oficina, às 17h, é a vez dos lançamentos de Práticas para destrinchar a cidade e Há uma cidade por trás.
A partir das obras, e da trajetória de Letícia Lampert como um todo, Amanda Teixeira (Azulejo Press) conduz um bate-papo com a artista.
> > Espia só o currículo das gurias >>
LETÍCIA LAMPERT
Artista visual e designer, mestre em Poéticas Visuais pelo PPGAV-UFRGS. A paisagem urbana é tema recorrente em sua produção, e a fotografia, sua principal matéria-prima na criação de colagens, instalações, esculturas e publicações. Teve o trabalho destacado em salões e prêmios como o Açorianos de Artes Plásticas, Pierre Verger de Fotografia, Itamaraty de Arte Contemporânea, Prêmio de Fotografia Chico Albuquerque, entre outros. Em 2018, integrou a Bienal do Mercosul e a Bienal de Fotografia de Beijing. Participou de residências artísticas no Brasil e no exterior, em países como Taiwan, China, França e Rússia. Seus livros Escala de cor das coisas (2009), Chai (2016) e Silent City (2022) foram publicados de forma independente. Práticas para destrinchar a cidade (2025) é o segundo livro da artista editado pela Incompleta. O primeiro, Conhecidos de vista, foi lançado em 2018.
AMANDA TEIXEIRA
Artista visual e co-criadora, editora e designer da Azulejo Press, uma editora dedicada a pequenas tiragens de livros de artista e formatos experimentais, que já conta com um catálogo de aproximadamente 30 títulos publicados. Amanda já esteve em feiras no Brasil e no exterior, como Printed Matter Art Book Fair (Los Angeles), Index (Cidade do México), Miss Read (Berlim) e Miolos (São Paulo), além de ter participado de exposições em galerias, universidades e museus do Brasil, da França e da Alemanha.
E tudo isso só será possível graças aos incríveis parceiros da Bancaberta, Tito e Aline, a quem agradecemos muito.
INFOS RESUMIDAS Quando: Domingo, 22 de fevereiro Horário da oficina: 15h, R$40, inscrições aqui Horário do bate-papo/ lançamento duplo: 17h Onde: Bancaberta – Praça Berta Starosta, Bom Fim, Porto Alegre - RS
Não nos falamos desde o ano passado, né? Então, embora já seja quase carnaval, ficam aqui nossos desejos de um grande 2026 para todos! : ) Com mais Benitos dançantes e menos tiranos tramposos tirando a nossa paz 🤯.
E... bueno, chegou a hora de contarmos o que de bacana andou acontecendo (ou irá acontecer) no universo incompleto. Buera?
[Acabei de ver que esta é a news nº 40 da editora. Achei bastantinho, até!]
Tema 1: Audiolivros novos
O primeiro assunto é de uma alegria realmente esfuziante: duas obras muito queridas do nosso catálogo agora podem ser ouvidas, gente!
Se você já leu Luminol,que tal agora escutá-lo? Ainda não leu? Melhor ainda: dá para ler e ouvir.
O livro de Carla Piazzi acaba de ganhar voz. E que voz! Zeza Mota é quem narra o romance ao longo de 20 horas e 55 minutos.
Parece tempo demais? Talvez seja o contrário: uma dádiva rara de intimidade e conexão com uma obra de arte – especialmente nos nossos dias, onde se permitir uma imersão dessas é um voto de confiança na qualidade das experiências desapressadas.
Finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e elogiado por Milton Hatoum como "um maravilhoso labirinto de palavras, com o fôlego das obras que vieram para ficar", há uma especificidade no Lumis que me parece torná-lo especialmente saboroso para a escuta: o centro do romance é um diário com 100 entradas envolventes (algumas breves, outras longas).
Imagina ouvir uma ou duas delas por dia, antes de dormir? Acompanhar Clara em seu cotidiano, compartilhando pensamentos e assombros enquanto vive numa fazenda antiga, com outros nove exilados da ditadura militar brasileira? Ou vagar entre as vozes de Maya, Clara e Quindim – as três narradoras do romance –, em seus papéis reais e imaginários de mãe, filha, amiga, quase-filha e quase-mãe, todas se fundindo e dando cria umas às outras?
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Já o livro vila mathusa, de zênite astra, chega em sua versão áudio narrado por Jade Bispo. A obra traz oito histórias entrecruzadas que se passam numa mesma vila da capital paulista. Entre contos, narrativas epistolares, entradas de diários e outros formatos textuais, as personagens nos falam sobre convivência, memória coletiva e imaginação trans, cada texto abrindo uma fresta para o outro.
[E por falar em vila mathusa, mais uma tiragem da obra está praticamente esgotada, com apenas 15 exemplares em nosso estoque. Corra para aproveitar, ou então aguarde a próxima fornada]
>> As produções desses dois audiolivros são resultado de uma parceria nossa com a incrível Tocalivros. Fica, então, o convite para você mergulhar nessas belezinhas. A porta de entrada, agora, é com fones de ouvido!
PS.: A zênite participou, no dia 8 de fevereiro, da 2ª Mostra Trans Campinas, apresentando seu novo livro Correspondência atrasada, uma produção inédita que mescla prosa e poesia ao falar de memória, luto e transformação. Para saber mais sobre o trabalho da zênite extra-Incompleta, sugerimos o Instagram da artista!
"Restauração" no Clube de leitura Põe na Estante
O incrível Põe na Estante, de Gabriela Mayer, segue em 2026 com suas leituras compartilhadas. São encontros onde “o livro continua depois da última página” – através das conversas, interpretações e descobertas que aparecem quando a leitura é realizada de forma coletiva.
A escolha do clube para o mês de fevereiro é nosso romance Restauração, da mexicana Ave Barrera.
Ficam aqui as palavras de Ivan Nery Cardoso na plataforma Goodreads para te convencer a embarcar nessa:
Animou? Quer se inscrever no clube? Basta enviar um e-mail para poenaestante@gmail.com e começar a receber as informações sobre as reuniões!
Lembrando que o Restauração será debatido no dia 25/02 às 20h30.
"Práticas", de Letícia Lampert, na revista Casa e Jardim + Bate-papo sobre o livro novo da artista + Lançamento com oficina em Porto Alegre
O fotolivro Práticas para destrinchar a cidade, de Letícia Lampert, ganhou uma matéria bonita e detalhada na revista Casa e Jardim, com texto de Carolina Borin e Nathalia Fabro.
A reportagem traz uma conversa com a artista e percorre as ideias que estruturam e conceitualizam o livro, nascido de caminhadas, desvios e observações do cotidiano urbano:
Do gesto de desmontar as vistas – como uma criança curiosa que abre um brinquedo ou mecanismo para descobrir seu interior, sem saber se conseguirá remontá-lo depois – nasceu o livro Práticas para destrinchar a cidade. […] Assim como em outras produções, o projeto do livro teve início com longas caminhadas, nas quais Letícia deixou o olhar ser conduzido pela deriva. ‘Gosto de sair pela cidade simplesmente para observar. Escolho pontos de interesse para definir rotas, mas gosto de ir desviando e me perdendo no caminho’, ela explica.”
Entre as referências que inspiram e instigam seu trabalho, Lampert destacou alguns nomes fundamentais:
O artista estadunidense Gordon Matta-Clark (1943–1978), pela desconstrução da arquitetura, e o artista alemão Kurt Schwitters (1887–1948), pela construção a partir de fragmentos. Somam-se ainda os artistas, pintores e pensadores neoconcretos brasileiros Lygia Clark (1920–1988) e Hélio Oiticica (1937–1980), cujas experimentações sensoriais e espaciais inspiram Letícia a repensar a relação entre corpo, obra e ambiente urbano. A escritora estadunidense Jane Jacobs (1916–2006) inspirou reflexões sobre a cidade e a relevância do ato de caminhar como forma de compreendê-la. Já na fotografia, o casal alemão Bernd e Hilla Becher (1931–2007 e 1934–2015, respectivamente) inspirou pela abordagem sistemática e rigorosa, marcada por séries de imagens que exploram estruturas arquitetônicas e industriais, referência direta para esse modo de olhar e registrar o espaço urbano. ‘Não sei mencionar uma influência decisiva para o livro em si, mas acho que é uma mistura de tudo isto e muitos mais’.”
Vale muito a leitura da matéria completa, viu? E você pode fazer isso aqui.
Outra opção para curtir a Letícia Lampert comentando sobre seu processo de criação é essa live recente que marcou o lançamento de Há uma cidade por trás (independente, 2026), que a autora realizou com o apoio da prefeitura de São Leopoldo. Durante o bate-papo com os leitores, ela falou bastante sobre nosso Práticas também,especialmente a partir do minuto 38 do vídeo:
Quer mais sabedoria Lampert? (Sim, habemus Letícia brilhando por todos os lados). Então a última dica é essa entrevista no programa Estação Cultura:
Leticia Lampert foi entrevistada no programa Estação Cultura da TVE RS, em 5 de fevereiro de 2026.
E agora um aviso especial: dia 22 de fevereiro haverá oficina + lançamento duplo da Letícia, dos fotolivros Práticas... e Há uma cidade por trás. Isso tudo na Bancaberta, em Porto Alegre!
Em breve passaremos as coordenadas completas do evento, mas já adianto que a oficina envolve as sobras gráficas da impressão do livro (um sonho antigo meu, que a Letícia fará a gentileza de contemplar, graças ao apoio logístico-afetivo do Tito e da Alice da Bancaberta <3).
Rodrigo Blanco Calderón conversa com O Estado de São Paulo
O escritor e professor venezuelano Rodrigo Blanco Calderón, autor de nosso romance Simpatia, deu uma entrevista ao Estadão recentemente. A matéria analisa omomento vivido pela Venezuela após a prisão de Nicolás Maduro.
Para Rodrigo, a maior apreensão está no tipo de transição de governo que se anuncia – sob forte influência externa, especialmente dos EUA.
A matéria observa que "[...] nos romances A noite (ainda sem publicação no Brasil) e Simpatia (2024, Incompleta, trad.: Raquel Dommarco Pedrão), Calderón já vinha tratando da migração e do impacto do êxodo na cultura venezuelana – temas que, agora, ganham novos contornos na vida real". Segundo o escritor, "a situação se presta a reações conflitantes", pois há um “sentimento quase inevitável de alívio [com a prisão]… mas o custo dessa virada preocupa".
Esse olhar atento à complexidade do país é parte essencial de Simpatia, onde percorremos Caracas e o cotidiano venezuelano de alguns anos atrás, já em flagrante tensão e desequilíbrio. Através de personagens ambíguos, violências e abandonos diversos, entendemos algumas nuances da crise sócio-política que se fermenta há décadas na Venezuela. No livro, esse colapso é trabalhado, sobretudo, com a presença física e simbólica dos cachorros – assunto sobre o qual nos debruçamos mais longamente neste texto de Fernanda Heitzman.
Circulando pelas bibliotecas públicas de São Paulo
Cavaleiro Macunaíma, publicação de Caio Zero que lançamos em 2022, agora fará parte do acervo de diversas bibliotecas da prefeitura de São Paulo. A obra, uma sanfona embalada em envelope especial serigrafado, homenageia o multiartista baiano João Bá, falecido em 2019.
Livro circulando em biblioteca é sempre um percurso meio "silencioso": um encontro com leitores que a gente talvez nunca conheça, convivendo com a obra em mesas de estudo, em tardes de espera, carregando sem alarde sua nova leitura na mochila, nos ônibus etc. Ao mesmo tempo, o "efeito" desse percurso chega a nós de forma bem concreta, no dia a dia. Além da experiência individual de alguém que, eventualmente, não conseguiria adquirir aquele livro, podemos sentir a diferença que essa disponibilidade nas bibliotecas faz à medida que novos leitores, que sequer conheciam a editora, descobrem e passam a pedir pelos livros; professores os adotam em salas de aula; livrarias nos solicitam reposições cada vez maiores; e assim por diante.
Esse processo foi notável e lindo com Rumi e A horta, previamente selecionados pelo edital da SME, e agora desejamos que o mesmo destino – e muitos olhos e mãos – estejam à espera desse bravo cavaleiro do nosso cancioneiro popular.
Adoramos este vídeo do lançamento do Cavaleiro, produzido em 2022.
E por falar em Caio Zero… estamos nos despedindo do "Rumi"
Uuuuy! Histórias e sentimentos demais para uma breve nota de newsletter, mas a informação é a seguinte: nosso quadrinho Rumi não será mais publicado pela Incompleta. O livro ganhará uma nova edição, de uma editora grande, que deve chegar às livrarias ainda no primeiro semestre deste ano.
Para matar (ou inflar?) a saudade do caminho lindo que trilhamos com o autor Caio Zero e os mais de 13 mil exemplares (!) impressos desde o nascimento do livro, deixamos aqui um vídeo que conta detalhes sobre o processo de criação e edição da HQ e de sua versão audiolivro, lançadas respectivamente em 2021 e 2022.
Antes da despedida oficial, queremos contar uma boa nova do Rumi: o livro foi escolhido pelo Clube Quindim e chega a seus assinantes junto ao kit deste mês de fevereiro. Uma bela forma de nos despedirmos, né? Acima, à direita, a foto mostra as últimas provas e o boneco do livro, assinados em janeiro para essa tiragem do Quindim.
Obs.: Infelizmente, nossa edição já passa a figurar como esgotada no site da Incompleta, mas ainda pode ser encontrada em livrarias parceiras e também na nossa loja da Estante Virtual.
Autores e colaboradores recomendam os livros da Incompleta
No final do ano passado, pedimos a alguns de nossos autores e colaboradores que escolhessem um livro do catálogo incompleto para indicar de presente. O resultado foi uma pequena série de vídeos cheios de leituras queridas, associações inesperadas e afetos editoriais.
Se você perdeu, vale muito dar uma conferida! Quem sabe não aparece uma ideia de presente (para alguém ou para você mesmo)?
Para encontrar todos esses vídeos reunidos, acho que o melhor caminho seria nosso Tiktok ou o Youtube, tá?
E ufa!, por hoje é isso.
Obrigada por acompanhar a Incompleta nas pequenas e grandes notícias que vamos juntando pelo caminho.
Seguindo com o tema descontos, aqui vai nossa segunda leva de sugestões para presentes!
Para quem não leu a newsletter anterior, o contexto: Em paralelo à consagrada Festa do Livro da USP, que oferece publicações com preços ao menos 50% abaixo do valor de capa, decidimos subir uma série de descontos em nosso site também! [É possivelmente a maior promoção que já fizemos – e não costumamos fazer muitas –, então aproveita para garantir aquele título incompleto que você vinha cobiçando ou para encontrar algum presente especial.]
// MÚSICA PARA MORRER DE AMOR, Rafael Gomes Este livro é para os interessados em teatro, cinema e no processo de transposição de uma obra de uma linguagem para outra.
Isso porque a publicação, que foi realizada numa parceria com a companhia Empório de Teatro Sortido, comemora os 10 anos de estreia da peça Música para cortar os pulsos,e conta com: a dramaturgia da peça na íntegra + o roteiro de sua adaptação para o cinema (o longa-metragem Música para morrer de amor). Além disso, ambos os textos vêm com comentários do criador por trás da coisa toda: odiretor, escritor e roteirista Rafael Gomes.
"Música não é sobre o objeto amado, é sobre o efeito narcótico que o amor (e a paixão) provoca em nós. E com esses três [personagens] conseguimos viajar pelas nossas próprias paixões, porque na vida sempre seremos Isabela, Ricardo ou Felipe, se tivermos sorte.” –– Marina Person
E claro, o livro não é apenas para apreciadores de teatro e cinema, mas também, como sugere o título, para os amantes da música – especialmente aquelas de amor e coração partido.
[Falando nisso, aqui vão algumas playlists organizadas pelo Rafael Gomes na época em que estávamos lançando o livro]: > Para acompanhar o ensaio ficcional, acesse a playlist 1 > Para acompanhar a leitura da peça, vá à playlist 2 > Para acompanhar a leitura do roteiro, playlist 3
Por fim e não menos importante: o livro traz ainda um texto de apresentação de Vinicius Calderoni, uma seção final com diversos documentos efotografias de bastidores e a playlist da peça comentada música a música pelo Rafael. Em suma, é uma baita edição comemorativa da peça, que fez dezenas de milhares de espectadores ao longo dos anos em que esteve em cartaz.
// TOTA E O CALOMBO, Maya Foigel + Marcelo Soriano + Rafa Campos Uma publicação singular e graciosa, da qual temos cerca de 12 exemplares em estoque antes de ela esgotar (!). Tota é uma prosa em rima escrita conjuntamente entre Maya Foigel e Marcelo Soriano, com ilustrações de Rafa Campos.
Daria para dizer aquela boa e velha máxima, "um livro para crianças de 0 a 99 anos", mas notamos ao longo do tempo que ele faz um sucesso tremendo com... bebês! [Fica a dica.]
A edição é em capa dura com impressão serigráfica em três cores – amarelo, preto e branco –, e tem uma costura exposta que arremata o charme do impresso. Mas o mais precioso é mesmo a história da pequena Tota, que tinha um calombo que ninguém parecia ver (ou será que não queriam?).
// INFELIZES À SUA MANEIRA, Lucas Verzola Considero este livro um acerto incrível em termos textuais e em tudo o que diz respeito ao caráter objetual, visual da coisa. O projeto gráfico de Letícia Lampert (sim, ela mesma, autora de nosso Práticas para destrinchar...) abraçou com concisão, dubiedade e elegância as fotografias de acervo e a escrita... er... concisa, dúbia e elegante de Lucas Verzola. Um casamento perfeito, diferentemente dos que vemos ao longo dos contos. 😉
Para uma grande felicidade à nossa maneira, o júri da Biblioteca Nacional parece partilhar dessa opinião, e concedeu ao Infelizes o 2º lugar na categoria "contos" de seu prestigiado prêmio literário. [Aguardem que em dezembro teremos Lucas em traje de gala participando da cerimônia no Rio de Janeiro!]
Piadocas tolas à parte, este livro é mesmo uma leitura deleitosa, daquelas que gostamos de repetir, como disse Ana Lima Cecilio outro dia, em seu substack:
"[...] gosto de abri-lo como um perverso oráculo e voltar a ler a história das personagens arrancadas da foto, como uns pequenos vodus que ganham seu encanto e sua maldição."
Para saber mais sobre a obra, algumas recomendações: • Leia em nosso site o posfácio de Felipe Charbel na íntegra • Assista à entrevista de Lucas Verzola no Literapistas • Leia a entrevista de Lucas Verzola para Eduardo Almeida, "Angústia em testamento", que saiu no Arte faz parte (e, posteriormente, no Literatura BR)
// LUMINOL, Carla Piazzi Os atributos do Luminolsão tantos que é sempre difícil falar sobre ele de forma sucinta. Desta vez, porém, vou me dedicar a selecionar dois trechos da obra, deixando que a linguagem e a engenhosidade narrativa de Carla Piazzi falem por si:
“Todo esse tempo aqui e nossas conversas só confirmam que o passado é o tabu desse lugar. O que eu sei da vida dessas pessoas? O que abandonaram? Desistiram de algo pela metade? Quem são essas pessoas? Só eu sinto que deixei um mundo pra trás e que preciso voltar? Tudo que amam, desejam e precisam da vida já está aqui? Não é possível. A cada vez que percebo uma resistência, um desvio de assunto, uma escapada pela tangente, o que vejo é uma roda melancólica de pessoas impotentes, de olhos baixos, obcecadas em tentar zerar um cronômetro quebrado. Mas essa é uma via de mão dupla: o que sabem de mim? Temos pinceladas uns dos outros, é isso que temos.
Mas acho que na nossa situação isso é compreensível… porque quando você traz o passado à tona, esse material subterrâneo, irrequieto e vivíssimo que nos constitui, você exige do presente uma resposta à altura, tão viva e potente quanto ele. A questão é: o que pode sobrar de um ser humano quando tenta sufocar a memória como estratégia pra seguir em frente?
E de um país?".
“Se existe algo próximo da verdade, está escondido na experiência interior, incomunicável. Como trazer à tona a experiência profundamente erótica de dissolver um e recriar o outro a partir dessa dissolução? O movimento sensual de destruição dos limites da aparência e da repetição era justamente o que fazia a individualidade de cada um deles ficar mais evidente e sedutora, e não tinha outro jeito, eu amava os dois ao mesmo tempo. Eu amo. Falar disso é como querer dar conta de um sonho a partir de seus restos diurnos. Ainda que eu me esforçasse pra transmitir a qualquer pessoa o atordoamento fascinante do eco, da embriaguez, da vertigem, o que me restaria a não ser um relato descritivo, pormenorizado e, a partir daí, como não cair numa narrativa pornográfica temperada com aspecto lúdico do jogo dos sete erros? Como compartilhar isso e não ser reduzida, como mulher, ao estigma do distúrbio ou da perversão?".
~ Folheando o Luminol ~
[Aproveito para relembrar aqui o belo ensaio que Gabriela Aguerre escreveu para o nosso substack, "Conversa entre diários", estabelecendo um diálogo entre os romances Luminol, 98 segundos sem sombra [do qual falo abaixo] e O diário do fim do amor – este último, de Ingrid Fagundez, foi publicado pela editora Fósforo.]
// 98 SEGUNDOS SEM SOMBRA, Giovanna Rivero Um romance em forma de diário, da mesma autora do nosso "hit" Terra fresca da sua tumba, Giovanna Rivero. A protagonista da história é a jovem Genoveva, que vive em Therox, lugar fictício dentro de um país real.
Abaixo, uma reflexão sobre a obra nas palavras da própria autora:
“Escrevi esse romance em formato de diário porque penso que o diário sempre tem algo de político... muito de político, e de juventude. E neste diário está o testemunho de um período histórico complicado, complexo, um ponto de inflexão na história boliviana e na história da América Latina, que é a irrupção do modelo neoliberal – que, por um lado, nos traz sua modernidade fascinante, e, por outro, essa decorrência indesejada que é o narcotráfico [...]."
Genoveva é uma garota como tantas, como todas, tateando sua identidade em meio ao dia a dia com a família, no colégio só para senhoritas, através do encantamento com o misterioso Mestre Hernán e sua aura de guru new age. Mas como apontou Betina González na revista Eñe, mais do que um romance de formação, "98 segundos sem sombra é uma proposta perturbadora, quase ficção científica, sobre uma sociedade tão corrupta nos seus negócios, nos seus afetos e na sua justiça, que a única resposta possível parece ser o horror ou uma fé que restaura o equilíbrio”.
// VILA MATHUSA, zênite astra Outra publicação muito querida pelos leitores, vila mathusa está prestes a chegar a sua 3ª tiragem!
Composto por oito textos, o livro conta as histórias entrecruzadas de moradores transgênero que habitam uma mesma vila na capital paulista. Explorando formas e atmosferas diversas, como as narrativas de detetive, cartas e diários, a autora contempla momentos de perda, ternura, suspense e humor, sob a perspectiva de personagens tão distintos quanto Aurora e Rubi, duas crianças em um dia de aventuras, e Mathusa, a travesti que é a “matrona” da vila.
“É como num filme de Robert Altman, em que cada personagem vai nos ajudando a construir um panorama de possibilidades e de diversidade. E essa multiplicidade é que possibilita para a autora uma fluidez para navegar entre histórias que vão da infância de pessoas trans, passando pela descoberta e pelos preconceitos, até o envelhecimento e a experiência da terceira idade, com todos as nuances entre companheirismo e solidão, entre medo e sabedoria.” –– Renato Guerra [Scream & Yell]
O prefácio é de Amara Moira. E, assim como quase todas as publicações da Incompleta, o vila também está disponível em versão e-book:
E assim encerramos a nossa segunda leva de sugestões. 🙂
PS.: Os descontos vão até as 23h59 de segunda-feira, dia 1º de dezembro. Aproveitem!
Abraço e bom (restinho de) final de semana, Fernanda e Laura