[Pré-venda] Um búfalo na areia
Os envios serão realizados a partir do dia 25/09, assim que o livro chegar da gráfica. Obrigada por adquiri-lo na pré-venda!
Os nove contos do livro, escritos ao longo de quinze anos por Paloma Franca Amorim, destacam, cada um à sua maneira, fragmentos comuns e extraordinários da infância e dos conflitos do amadurecimento. São personagens em duelo com a solidão, o livre-arbítrio, os princípios éticos – ou com a memória de uma Amazônia cindida, de uma juventude entre igapós que não existe mais. Ao conhecê-los, por meio dessa constelação de histórias movidas pelo ímpeto de mudança, nos aproximamos da vida em seu estado mais perecível, por vezes doído, mas profundamente vivo. A obra é o terceiro livro de ficção da escritora paraense e o primeiro que olha nos olhos dos búfalos.
R$ 55,00 O preço original era: R$ 55,00.R$ 49,50O preço atual é: R$ 49,50.
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Sobre a coleção
Sobre a revista
Ficha técnica
Título: Um búfalo na areia
Autora: Paloma Franca Amorim
Apresentação: Viviane Nogueira
Ano: 2026
Gênero: Literatura brasileira/ Contos
Nº de páginas: 100
Encadernação: Brochura
Formato: 12 x 19 x 0,9 cm
ISBN: 978-65-88104-34-7
Edição, projeto gráfico e diagramação: Laura Del Rey
Coedição: Ivan Nery Cardoso
Assistência editorial: Fernanda Heitzman
Ilustrações: Paloma Franca Amorim
Preparação de texto: Aline Caixeta Rodrigues
Revisão: Ana Mendes
Catalogação: Regina Simão Paulino
Mockups: Fernando Zanardo
Agradecimentos: Angela Mendes
Financiamento coletivo
Bio autor(a)
Escritora, dramaturga e artista visual nascida em Belém do Pará, em 1987, a produção literária de Paloma Franca Amorim articula ficção, crítica cultural e investigações sobre linguagem, corpo e território. Formada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo (USP), também atua como educadora, pesquisadora das artes da cena e professora, integrando o corpo docente da Escola Livre de Teatro de Santo André desde 2021.
Estreou na literatura com o livro de contos Eu preferia ter perdido um olho (Alameda Casa Editorial, 2017) e, quatro anos depois, lançou o romance O oito pela mesma editora. As duas obras exploram tensões sociais, afetivas e políticas no contexto brasileiro contemporâneo.
Além da produção em prosa, Paloma desenvolve uma trajetória consistente como autora de teatro, sendo responsável pela dramaturgia de peças como 7Pisos, baseada no conto “Sete andares”, de Dino Buzzati, e encenada pelo grupo Folias d’Arte. Também publicou textos em jornais e revistas, atuando como cronista e articulista em veículos como Opera Mundi e na imprensa cultural.
Ainda para este ano de 2026, além da publicação de Um búfalo na areia pela Editora Incompleta, a autora prepara o lançamento de outros dois romances, junto às editoras DBA e Todavia.
Prêmios, resenhas
Trechos
“Os sonhos que sonhamos não são sempre nossos. Um búfalo na areia começa e termina no Pará, mas os contos que se encontram nesse caminho poderiam se passar em qualquer cidade do Brasil. Falar das facetas da experiência humana é como falar ‘numa língua anterior a nós mesmas’. O búfalo, que aqui vejo à distância, me olha nos olhos e diz suas coisas santas, as quais Paloma parece ter escutado bem; aqui a morte realmente não mata.” – Viviane Nogueira, apresentação
“Os cigarros e o vento frio das marés roubaram minha voz. Não percebi de imediato. Um dia, Bartira me perguntou alguma coisa e pronto: quando abri a boca, não saiu nada, no máximo sons como os das crianças ribeirinhas dos estreitos, que entoam em uníssono uma espécie de alarido, para que os passageiros das embarcações as vejam e as ajudem, lançando às águas doações envoltas em sacos plásticos ou dentro de caixotes. Bartira conseguiu me arranjar uns preparados de mastruz com leite, andiroba, copaíba e limão, mas não teve jeito. A bem da verdade, eu achava até bom o sumiço da voz; teria uma boa desculpa para não responder nos camarotes às perguntas dos marujos que tentavam puxar conversa fiada em vez de fazer logo o que tinham de fazer. Além disso, o ar que se estendia da minha garganta, seco e sem som, parecia um mau presságio, e por isso todos preferiam que eu ficasse calada.” – do conto ‘Lituânia’
“Rosa arrumou as cartas nas mãozinhas, tirando uma por vez, como se desenterrasse um artefato frágil. Escavou as camadas próprias do que iria me revelar, fazendo-se uma cartomante muito austera e compenetrada. Acompanhei tudo curiosa, confesso. De repente, ela me atravessa com um olhar profético e, durante um segundo, chego a acreditar que tenho diante de mim a encarnação de uma sábia anciã, minha predadora particular a postos para me contar toda a verdade. Então joga as cartas para cima, espalhando-as pela cama, e começa a rir. Eu me assusto. A revelação está desfeita, a mensagem foi desordenada.” – do conto ‘A vizinha’
“Todos começam a chorar, menos Adriano. Ele não consegue saltar para o desespero como os irmãos. Não tem coragem de se lançar ao abismo e morrer, ele não quer se tornar homem. Então fica ali, no fundo do medo, em perigo para sempre, atônito, aprisionado nos segundos em que se soube órfão, flutuando. A dor não sai e não deixa nada entrar; nem lição de matemática, nem lição de literatura, nem eu, nem ninguém. E é por isso que decido ficar ao seu lado. Tento subir a montanha e dividir minhas vísceras com Adriano, participar de sua oferta cíclica ao abutre.” – do conto ‘Conselho de classe’
“O alcance da minha vista vai até onde as copas das árvores chegam e se dissipam na escuridão. Pareço haver entardecido, eu mesma, fração mal cicatrizada do céu. Tudo isso me preenche por dentro como um enxame de abelhas silenciosas; é o que sinto enquanto Bruno atentamente ouve o meu relato. Seus ouvidos pequenos são cabaças para a água da minha fala. Só depois da última palavra começo a chorar.” – do conto ‘O sonho do jacaré’
“Depois de tantas décadas prostrada sobre seus terrores pessoais, Luri nota que, pela primeira vez, age de acordo com uma intuição hedionda. Livrar-se de tia Euclidiana, sua personalidade invasiva, cheia de opiniões, livrar-se de suas expressões assertivas, de seu passado reiteradamente mencionado pelas mães da escola – o despudor, a escória, a libertinagem – era como livrar-se da dor que sentia ao pensar na existência de gente daquela natureza. Sente-se, quem sabe pela primeira vez em seus cinquenta e dois anos (cinquenta e dois anos fodidos com cartilhas e ordenações interpessoais, letras de fôrma, o enxoval tão sonhado, o casamento em uma igreja do século XIX, o marido entrando e saindo sistematicamente de suas cavidades como fecundasse um terreno abandonado), uma mulher de atitude.” – do conto ‘Febre euclidiana’
“Contudo, só o amei no fim da festa, quando observei pela última vez o salão. O palhaço arrumava suas coisas, recolhia os desenhos. Recolheu o meu. Ficou bastante tempo olhando para ele, para si mesmo, cheio de rabiscos, vasculhando-se repleto de marcas de desclassificação, feitas sobre sua beleza quebrada e luminosa. Naquela noite, o meu palhaço e eu não ganhamos nada. Partilhamos, um escorado no outro, mesmo sem saber disso, a intimidade que sempre abraça o coração dos perdedores.” – do conto ‘Palhaços’



