[ Uma conversa entre a colaboradora convidada Ana Rüsche, a autora Eunice Shade e nós da Puñado. A entrevista foi realizada em 2017 e integra a Puñado 2. O conto de Eunice traduzido e publicado na revista se chama “Gibberish” ].

PUÑADO: O conto tem uma atmosfera sombria e nonsense. Como o mistério te move?

“Gibberish” é um texto que tenta compreender a alteridade, ainda que eu saiba que o outro é um mistério incompreensível, inacessível e impenetrável. No conto, utilizei a linguagem nonsense como um exercício, que alude a isso e propõe uma literatura com um fim em si mesma – afinal, como algo inacessível pode ter sentido? Não há conexão entre personagem e autor. O narrador de “Gibberish” é um narrador em conflito; que precisa do conflito para existir. O conto é um esboço psicológico desse tipo de personagem, já que não se identificar com o outro é o que produz o conflito. A sensação de desencontro produz a linguagem literária, a ficção.

ANA: Defina poesia.

Um momento fugaz.

ANA: A partir de tua perspectiva de mulher, de tua vivência na Nicarágua e depois nos Estados Unidos, como você trabalha teu idioma materno? Houve algum impacto?

Continuo trabalhando normalmente, mas a minha relação com a linguagem mudou, se transformou em uma experiência completamente nova e misteriosa. A mudança de país me fez muito bem, ainda que a Nicarágua esteja viva no meu coração todos os dias. Nunca me esqueço das minhas raízes, porque trabalho com raízes.


ANA RÜSCHE é escritora e doutora em Letras pela USP. Ministra oficinas de criação e cursos sobre arte contemporânea. // As biografias de Eunice Shade e das demais autoras da Puñado podem ser lidas aqui. // Tradução da entrevista por Laura Del Rey. // Tradução do conto “Gibberish” por Raquel Dommarco Pedrão.


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