Como fizemos no início de 2017, preparamos uma singela e variada lista das coisas boas do ano que passou. São filmes, músicas, feiras, séries, viagens, canais de YouTube, Instagram, eventos, memes y otras cositas trazidas à baila por nós Incompletos e pelos queridos colaboradores Marcelo Barros, Raquel Dommarco Pedrão e Victor Fisch.

Para embalar esse ano que começa, para melhorar o que passou, para trocarmos descobertas e prazeres que podem passar os próximos minutos, ou meses, conosco. Esperamos que gostem! 🙂

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~ VICTOR FISCH, 33 anos, cineasta e professor ~

Entender 2017 através dos memes. Uma memespectiva de 2017.

Nós, brasileiros, já somos famosos pela nossa criação massiva de memes, já vencemos duas guerras memeais (contra Portugal e contra a Argentina) e os memes já são o nosso principal produto de exportação.

Descobri a existência da Associação de Memes da América do Sul e um site coreano muito interessante, que explica a origem dos memes.

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Não foi um ano fácil. Os memes ajudam um pouco a sobreviver, mas temos que admitir que, desde que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos em janeiro, nosso domínio está ameaçado. Ele é um meme ambulante, um memesidente. E mesmo com nosso tememer, corremos um sério risco de uma guerra memeal contra os atuais norte-americanos.

:: TOP 5 ::
 
William Waack é o número 5 da nossa lista. Ele foi gravado dizendo “é coisa de preto” em um registro de bastidores. Uma notícia falsa afirmou que a perícia concluiu que ele não disse “preto”, mas sim “Cleiton”. Excelente premissa para memes!
 
A cidade de Jequié, na Bahia, deu mochilas gigantes para seus pequenos alunos. Os memes que resultaram da notícia são brilhantes e estariam em primeiro lugar não fossem Temer e Trump!
 
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Temer andou se irritando contra os memes, justo nosso novo produto de exportação. Isso gerou revolta e mais memes! Aliás, o El País está de parabéns. Além da matéria sobre as tentativas de Temer de acabar com os memes, também publicaram esse ano diversas matérias que têm os memes como destaque. Essa aqui é taxativa: Memes, a única instituição funcionando no Brasil.
 
Mas aí vem o Trump e com ele não tem competição. São inúmeras as ações deste inacreditável presidente que viram memes. Cumprimentando os presidentes e não largando, falando abobrinhas no Twitter, provocando coreanos, muçulmanos, árabes e por aí vai. A primeira ação dele no governo talvez seja um dos melhores momentos do ano. Assinou uma ordem de governo e a página em branco se tornou um mundo de possibilidades para a internet.
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Mas nada se compara ao encontro de Trump com o Papa Francisco. A evidente má vontade do Papa com o presidente-criança ficou eternizada nos memes, essa nova arte dos nossos tempos.
 

Divirtam-se!




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~ MARCELO BARROS, 41 ANOS, designer e artista visual ~

A. Música

  • 01. Villains | Queens of The Stone Age

Villains, o sétimo álbum de estúdio da banda norte americana Queens of the Stone Age, chegou em agosto deste ano envolto sobre a aura de ser o disco mais dançante e pop já realizado pelo quinteto californiano, contrastando muito com o melancólico e pesado Like Clockwork, seu antecessor de 2013.

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Sem abandonar a verve pesada e desértica que Josh Homme e sua banda carregam como assinatura, o álbum realmente se mostra mais sintético e com melodias de balançar o esqueleto. Particularmente, fiquei apaixonado pelo disco, em especial ao escutar a faixa Domesticated Animals, terceira do álbum, que mostra um perfeito Qotsa para “bater cabeça”, mas que transfere esse abalo sísmico para todo o corpo.

O arranjo soa pesado, seco e dramático, mas ao mesmo tempo traz um balanço digno das bandas new wave oitentistas. Quase como um tango duro, sujo e punk, mas igualmente envolvente. Faixas como The Way You Used to Do, Head Like a Haunted House e até Un-Reborn Again incorporam o espírito rock’a’billy, numa pegada mais elétrica e empoeirada, que, ao meu ver, é o clima que envolve grande parte de Villains. A outra porção do álbum me parece navegar por uma atmosfera próxima às fases Lodger (1979) e Scary Monster (1980) de David Bowie.

A essa pegada “rock pop shake your body melancólica” se credita o fato de que a produção de Villains contou com Mark Ronson, conhecido por trabalhos com Lady Gaga, Amy Winehouse, Bruno Mars e Paul McCartney. Provavelmente como aposta de Homme, para emprestar ao Qotsa o sintetismo pop e dançante que o álbum brilhantemente apresenta em grande parte de suas canções.

Vale, e muito, a audição. Até mesmo porque, em 2018, o Qotsa aterrissa em terras tupiniquins para cinco shows eletrizantes ao lado de outra grande banda, o Foo Figthers.

Ouça no Spotify.

  • 02. Drunk | Thundercat

Que disco é esse, meu Deus! Quando o escutei pela primeira vez, fiquei meio desnorteado… não sabia se o tinha entendido, gostado ou até digerido direito.

Fato é que Drunk, terceiro álbum concebido pelo músico californiano (outro) Stephen Bruner, é de um experimentalismo ímpar e de uma qualidade inegável.

As 23 faixas que o compõem trafegam entre o R&B, a soul music e o pop da passagem dos anos 1970 aos 1980, isso tudo regado pelo jazz fusion, pelo virtuosismo do próprio músico e por sua linda voz. Inclusive, a marca registrada desse disco é, sem dúvida, a pluralidade de estilos que nascem das linhas rápidas e pesadas de baixo e a suavidade de sua voz, que se complementam ao receberem abraços carinhosos dos sintetizadores e levadas suingadas.

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Bruner é um músico muito versátil e habilidoso. Por incrível que isso possa parecer, fez parte da banda americana de crossover thrash Suicidal Tendencies (no entanto, se estabeleceu no cenário da música negra americana, trabalhando ao lado de artistas como Erykah Badu, Vic Mensa, Childish Gambino, Flying Lotus e diversos outros nomes de peso). Essa bagagem lhe emprestou uma pluralidade afiada, contribuindo para a escolha acertadíssima do time de parceiros: Kendrick Lamar, Michael McDonald, Kenny Loggins, Pharrell Williams, Wiz Khalifa, Kamasi Washington e Flying Lotus.

Recentemente (em agosto), esteve no Brasil para divulgar Drunk – o qual apresentou, na minha opinião, em um show “pernóstico” e chato no Jazz na Fábrica, no Sesc Pompéia. O que nada tira o mérito de seu belíssimo álbum…

Ouça Drunk sem “aditivos”, uma vez que ele por si só irá tirá-lo(a) do ar.

B. YouTube

  • 01. Tiny Desk Concerts

Bob Boilen, coordenador do programa de música online da NPR All Songs Considered, emissora de rádio americana, criou, em 2009, o programa audiovisual Tiny Desk Concert, série de pocket shows de artistas e bandas que acontecem verdadeiramente dentro de seu escritório, e que são disponibilizadas no canal da emissora no YouTube.

Os artistas literalmente ocupam os espaços de sua sala e executam cerca de 15 minutos de música, geralmente num formato acústico ou com um set resumido, trazendo um resultado incrível, recheado de grandes performances.

A série já me comove pelo formato inusitado, uma vez que o cenário é, digamos assim, um pouco “non sense”.

No entanto, o que me arrebatou de verdade foi o fato de poder ter o privilégio de assistir a performances de grandes artistas com arranjos e instrumentos normalmente fora de suas zonas de conforto: quem imaginaria assistir ao Blue Man Group fazendo uma performance usando som de vinil? Escutar a Suzanne Vega apenas com guitarra e voz, ou o Billy Corgam tocando ao piano, seguido apenas por violinos? Pois é! O TDC promove as preciosidades.

Por lá já passaram grandes nomes da música americana e do mundo, tais como Anderson Paak  & The Free Nationals, Billy Corgan (Smashing Pumpkins), The Cranberries, Pixies, Adele, Thudercat, Chick Corea & Gary Burton, Natalie Merchant (10000 maniacs), Lianne LaHavas, dentre muitos outros. Vale a visita e a imersão… boa audição!

  • 02. Kazagastão

Canal do YouTube criado pelo músico, jornalista e apresentador Gastão Moreira, o Kazagastão, ou apenas KZG, já está no seu quarto ano de existência, com mais de 76 mil inscritos e cerca de 300 vídeos publicados. O conteúdo não poderia ser outro se não o bom e velho rock’n’roll, uma vez que seu criador frequentou algumas das “melhores escolas do gênero” ao ter sido VJ e apresentador de programas televisivos na “falecida” MTV Brasil, na TV Cultura e na Fashion TV, além de atualmente conduzir o programa Gasômetro na rádio Kiss FM. 

Heavy Lero, o programa mais popular exibido no canal, apresenta as histórias das bandas mais relevantes e influentes do rock mundial. Apresentado por Gastão Moreira e Clemente Nascimento, o programa encerrou 2017 em seu 117º episódio, e durante seus quatro anos de existência publicou fatos e detalhes históricos de bandas como Black Sabbath, Joy Division, Red Hot Chili Peppers, Billy Idol, Rush, Nirvana, Alice in Chains, R.E.M., ZZ Top… é… a lista é grande!

A diversidade e a riqueza das informações sobre o gênero musical, acompanhadas da forma como Gastão expõe seu conhecimento, pesquisa e amor, torna o canal imprescindível para quem gosta de boa música e busca por referências históricas.

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Nesse momento, o canal iniciou uma campanha de financiamento coletivo contínuo, visando a fidelizar “assinantes mantenedores” e assim fazer com que o canal cresça e ofereça mais conteúdo sobre música e aumente sua grade de programas, além de custear toda a equipe, que trabalha apenas pelo amor à música de qualidade.

Link para o canal.

Link para a campanha de crowdfunding.




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~ RAQUEL DOMMARCO PEDRÃO, 32 anos, tradutora e professora ~

Já que aqui no Brasil dizem que o ano só começa mesmo depois do Carnaval, é por ele que eu vou começar a minha pequena lista também. Que o Carnaval de rua de São Paulo é uma delícia e muito divertido todo mundo sabe (ou deveria!), mas em 2017 eu descobri que o pré-Carnaval (que costuma acontecer um ou até dois fins de semana antes do feriado oficial) também pode ser bem bacana. A pré-festa tem desde bloquinhos mais tradicionais, como o Bloco Soviético, até eventos fechados, como a balada temática do PanAm Club – com uma playlist carnavalesca mais que especial e uma das vistas mais lindas da cidade. Já que só tem um Carnaval por ano, por que não aproveitar ao máximo, né?

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Já no outro extremo do ano: a Feira Miolos acontece anualmente na Biblioteca Mário de Andrade, que a gente sabe que é um dos maiores xodós da cidade. Reunindo editoras menores ou com propostas gráficas diferentes – por vezes beirando o artesanal/autoral – é o lugar ideal para conhecer os projetos mais inovadores e as propostas mais interessantes da produção editorial – senão brasileira, pelo menos paulista. Numa nota pessoal, como a feira acontece em novembro, adiantei vários mimos de Natal porque, de verdade, tem muita coisa linda (cartazes, pôsteres, caderninhos da Chocolate, entre mil outras coisas) e publicações de primeira grandeza. Não percam em 2018!

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Falando em literatura, Ensaio de Voo, livro da professora e escritora Paloma Vidal, foi certamente uma das edições mais bonitas do ano. Publicado pela primorosa Editora Quelônio, o livro é impresso em tipografia num papel azul todo especial, tem exemplares numerados, e todas aquelas minúcias gráficas belíssimas que só a Silvia Nastari sabe fazer, e que fazem você querer colocar o livro numa moldura (além de manusear com o maior cuidado do mundo – nada de ler enquanto come chocolate).

No texto, a narradora discorre sobre todos os voos que de alguma maneira determinaram a sua vida, inclusive aquele onde ela se encontra no momento da narração, voltando de uma visita à irmã que mora no exterior. A ação se desencadeia após a narradora começar a ler dois livros durante o voo, que de alguma forma também se relacionam com sua própria história, e o fato de que ela inicia o Ensaio a duas horas do pouso em São Paulo dá um ar de contagem regressiva que nos leva a ler de supetão, sem interrupções, quase sem respirar.

A 3ª temporada de Narcos foi uma grande surpresa. Eu, honestamente, estava muito relutante em continuar assistindo porque, enfim – SPOILER ALERT (ou não) –, a 2ª temporada tinha acabado com nada menos que a morte do protagonista. Então, eu pensava “que apelões quererem continuar a série”, achando que ia ser mais uma para a lista de sequências descabidas para espremer até o último centavo de uma boa ideia. Não podia estar mais enganada. A trama que girava ao redor dos chefões do cartel de Cali, e não mais Medellín, me deixou sem ar, e o altíssimo nível de tensão se manteve do primeiro ao penúltimo capítulo. Recomendo com R maiúsculo.

Feliz 2018!




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~ RAQUEL CHAMIS, 34 anos, jornalista e escritora ~

O ano passou rápido em meio a dias puxados de trabalho (Lau mencionará depois, mas já faço coro à frase: “stop the glorification of busy” – mantra para 2018). Talvez, por isso, os meus melhores de 2017 têm gostinho de folga. Em cidades e temperaturas diferentes, como deve ser:  

// uma imersão: no sítio Duas Cachoeiras, em Amparo-SP, um pequeno grupo de mulheres coordenou o retiro Fio, com foco na experimentação têxtil. A tricoteira Cris Bertoluci, a bordadeira Flavia Lhacer, a terapeuta Talita Rossi e a artista têxtil Ciça Camargo conduziram dias de muito fazer e convivência. Comemos bem, meditamos, alimentamos ovelhas e tingimos tecidos com as frutinhas colhidas lá mesmo. Repito aqui o que a Flavia me disse para uma matéria sobre o handmade: “Somos espelhos uns dos outros e, para ver melhor nossa própria forma, é preciso estar no coletivo. Para mim, os trabalhos manuais não funcionam bem solitariamente. O grupo tem mais força bordando junto”.

O bordado de 2017 que eu ainda não terminei, iniciado no retiro Fio
O bordado de 2017 que eu ainda não terminei, iniciado no retiro Fio

// um bloquinho: música e dança do porto-alegrense Bloco da Laje ocupam o parque da Redenção com ensaios abertos desde outubro. O dia do cortejo de Carnaval, porém, é obviamente especial: pinta de amarelo, azul e vermelho a capital gaúcha, reunindo muita gente que vê na brincadeira uma oportunidade de ocupar e pensar a rua. Em 2017, descemos as lombas da Zona Sul até o Guaíba no maior calor & amor. Depois do sucesso do financiamento coletivo, a festa de 2018 tem data para acontecer: 28 de janeiro.  

// inspiração: Conheci o trabalho independente do Lá da Favelinha, que oferece oficinas educativas e eventos culturais para jovens e crianças do Aglomerado da Serra (zona sul de Belo Horizonte) no MECA Inhotim. Nos dois dias em que estive no festival, alguns dos integrantes promoveram uma de suas “Disputas Nervosas” de passinhos e fiquei encantada com a iniciativa de Kdu dos Anjos – que envolve dança urbana, biblioteca comunitária, semanas de moda, empreendedorismo e oficina de MCs. O instagram @ladafavelinha ainda é um convite a dançar (embora minhas tentativas de imitação caseira tenham fracassado por completo).

// roupa: a marca argentina This is Feliz Navidad produz blusões com estampas incríveis – as referências vão de Stranger Things a Macanudo, passando por simpáticos dinossauros. Virou realidade no meu armário depois de uma força-tarefa envolvendo os pais e tios de uma amiga em Buenos Aires. O blusão com personagens de Liniers têm modelagem pequena para pessoas grandes como eu, confesso. Mas foi uma das entregas mais aguardadas do ano.  

// lanches & acompanhamentos:

_Brunch no bistrô Passé Composé, em Montreal, com amigos do peito em versão canadense e neve fresquinha da noite anterior. Na saída, o garçom anotou no guardanapo uma dica para seguirmos o passeio: Musée de Beaux Arts, onde vi de perto o impressionante trabalho L’Armée de Laine, composto de 780 bonecos de lã tricotados por 400 artesãs do mundo inteiro (sob coordenação da artista francesa Délit Maille).  

O exército de lã feito por artesãos do mundo todo e coordenado pela artista francesa Délit Maiile
Muito tempo vendo em detalhes o exército de lã da artista francesa Délit Maille, que presta homenagem às vítimas da Primeira Guerra Mundial.

_Batata rústica feita em casa (aprendi a plantar temperos em 2017!) ou waffles com mel ao som de Tom, Zeca, Moreno e Caetano Veloso (melhor show do ano para mim, aliás, onde descobri a música “Todo Homem”, que preciso parar de ouvir em algum momento bem próximo).

// um lembrete para o ano que se inicia:

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~ LAURA DEL REY, 32 anos, artista visual e escritora ~

Vai ser uma lista meio caótica e feita segundo critérios duvidosos (a minha memória pega no susto essa manhã), mas vou aceitar isso como reflexo do espírito do ano 🙂 .

Não vai ter lista de discos, por exemplo, porque estive ouvindo muito anos 70 e uma restinga das minhas obsessões de 2017 (Cátia de França e Frank Ocean, sobretudo). Ainda assim, 3 lançamentos nacionais queridos: Letrux (Letrux em noite de climão); Tim Bernardes (Recomeçar); e Boogarins (Lá vem a morte).

Casa de Francisca

Em termos de shows, meus eleitos são de 2 bandas com grandes discos em 2016: Whitney, na Clash Club, e Metá Metá, na Casa de Francisca coisa mais bonitinha. A voz do bebê Marx Kakacel ao vivo é algo comovente. Fora essa sensação tão gostosa de um show simples e direto: bons amigos de companhia, ingressos a preços aceitáveis, chegar não muito antes, ficar perto, ouvir bem, sair para o bar depois. Isso dito, em 2017 eu não fui e em 2018 não pretendo ir aos shows complicados e inflacionados; é uma causa. E temos tantos SESC.

(Sobre instituições, um breve urra de entusiasmo pelo SESC 24 de Maio e pelo IMS da Paulista, que chegaram bonitões e com ótima programação). E que coisa mais linda o Seven Stories do Robert Frank, né? Não canso.

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No mundo literário, um ano vasto: de descobrir novas feiras, novas formas de organização das pessoas, novas editoras, novas revistas, um ano de mulheres. Ouso dizer que está uma delícia ser leitor e publicador no Brasil, com perdão pelo otimismo fora de época 🙂 .

Participamos, com a Incompleta, de diversas feiras, e é realmente incrível o que o pessoal independente tem produzido – coisa que podemos notar com calma quando ficamos horas rodeados por esses vizinhos. Estivemos na deliciosa Miolos, na Festa da USP, na Feira SUB (Campinas), na Folhetaria (CCSP), na Banca de Quadrinistas, na Polvo e na feira da Casa das Rosas. Cada uma com seu perfil e público, todas interessantes. E tem também a própria Flip, na verdade, onde além de termos ido junto a um grupo incrível de artistas e produtores (A Casa da Porta Amarela) para lançar a Puñado nº 1, a curadora Josélia Aguiar fez um remelexo muito legal! Foi com alegria que recebemos a notícia de ela ser novamente a curadora em 2018, com uma homenageada como a Hilda Hilst.

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Conceição Evaristo, um dos destaques da Flip em 2017.

Voltando às publicações, além de editoras um pouco maiores e ótimas como a Todavia, a Carambaia, a Ubu, a Pólen, a Lote 42, a Bebel Books, a Elefante e a Relicário, por exemplo, quero citar também a Quelônio, a Arte e Letra (de Curitiba), a Barbatana, a editora-cervejaria Cerverbaria, a Aline Zouvi, a Linaibaih, a Polvilho, as coisinhas da Coticoá, a revista Garupa. Dá para se perder umas horas nos sites e Instagrams desse pessoal, enquanto a Feira Plana de março não vem.

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Para citar só 1 livrin, sem pretensões de best of, pego o Como se fosse a casa: uma correspondência. Porque ele une as qualidades que tanto tenho gostado nessas publicações: um projeto gráfico charmosíssimo e textos realmente bons. São lindos a ideia toda do livro e os poemas da Ana Martins Marques e do Eduardo Jorge.

Duas pessoas dançando

a mesma música

em dias diferentes

formam um par?

~ Ana Martins Marques

Sobre projetos gráficos, especificamente, outras belezinhas que merecem menção: Acqua Alta, de Nik Neves (Bebel Books); A Pedrade Yuri Pires (Lote 42); e Ensaio da Voo, de Paloma Vidal (Quelônio). Fora os Carambaias e Ubus todos.

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No mundo instagrâmico, alguns ilustradores/chargistas me fizeram mais feliz o ano inteiro:

E também os já clássicos Liniers, Laerte, os livros e as frases do sebo Desculpe a Poeira e o mais lindo de todos: Found things I found, uma conta fotográfica cheia de preciosidades.

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Linha curta: a newsletter Brain Pickings Maria. É o que de melhor existe em termos de conteúdo, no conforto do seu e-mail, uma beleza. Aqui!

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Linha curta 2: as Maravilhosas Corpo de Baile, cujo slogan AME SEU CORPO DANÇANDO já explica bem o meu amor por elas.

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Como penúltimo item, um país: Bolívia. E o lago Titicaca, em especial. Ou o Uyuni, ou a Ilha do Sol. Não sei. Há tempos eu não me surpreendia tanto com a minha ignorância. Não fazia ideia do que iria encontrar. Que lugar. Vão, se puderem. São de embasbacar o clima, as cores, as pessoas, as paisagens, a diversidade de comida, o ritmo todo. Aqui do ladinho.

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E, por fim, queria falar sobre planejamento (risos). Sempre uma relação meio ambígua com a questão opressora da produtividade (“stop the glorification of busy!”), mas minha qualidade de vida aumentou substancialmente depois de finalmente criar o hábito de usar agendas e organizadores de maneira decente. Para embonitar a missão, então, fica essa dica de Molsk lindinhos e também esse calendário para download gratuito do projeto Mulheres na Literatura. Ou, ainda, algum desses outros vários calendários gratuitos listados pelo pessoal do Follow the colours.

Feliz ano novo, pessoal!

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~ FÁBIO KAWANO, 37 anos, cineasta

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TRACKLIST (68 min)

01. Drake “Passionfruit” (More Life, Young Money Entertainment/Cash Money Records, 2017, Estados Unidos)
02. Richard Dawson “Ogre” (Peasant, Domino Recording, 2017, Reino Unido)
03. Kendrick Lamar “LOVE.FEAT.ZACARI.” (DAMN., Aftermath/Interscope/Top Dawg Entertainment, 2017, Estados Unidos)
04. Frank Ocean, Jay Z, Tyler, The Creator “Biking” (Biking, Blonded, 2017, Estados Unidos)
05. Broken Social Scene “Stay Happy” (Hug of Thunder, Arts & Crafts, 2017, Canadá)
06. Japanese Breakfast “Till Death” (Songs From Another Planet, Dead Oceans, 2017, Estados Unidos)
07. Ropoporose “None” (Kernel, Foreign Moons, Yotanka, 2017, França)
08. Slowdive “Slomo” (Slowdive, Dead Oceans, 2017, Estados Unidos)
09. Baco Exu do Blues “En Tu Mira” (Esú, Cremenow Studio, 2017, Brasil)
10. Jen Cloher “Waiting in the Wings” (Jen Cloher, Milk! Records, 2017, Austrália)
11. Destroyer “Tinseltown Swimming in Blood” (ken, Merge Records, 2017, Estados Unidos)
12. Kaitlyn Aurelia Smith “To Feel Your Best” (The Kid, Western Vinyl, 2017, Estados Unidos)
13. Kamasi Washington “Desire” (Harmony of Difference, Young Turks, 2017, Reino Unido)
14. Adult Mom “Ephemeralness” (Soft Spots, Tiny Engines, 2017, Estados Unidos)
15. Frank Ocean “Chanel” (Chanel, Blonded, 2017, Estados Unidos)


 

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